Pular para o conteúdo principal

Os novos radicais

Hoje falo de mais um fenómeno preocupante de radicalismo.
Não, não é religioso. Nem sequer ideológico.

O estado, esse nosso sempre presente "paizinho" que nos regula a vida, a cada passo ganha mais e mais intervenção. Apesar de algumas privatizações e apelos dos nossos credores para diminuir a sua presença na economia, não para de crescer e de se impor ao país.

Pode entrar na nossa privacidade, escutas, sigilo bancário, inversão do ónus da prova nas finanças. Regula a nossa vida ao ínfimo pormenor de definir o teor de sal permitido no pão. Contra todas as indicações europeias regula artificialmente mercados que estavam a ser liberalizados, isto depois de subsidiar sem qualquer justificação os monopolistas.

Pasme-se, manda retirar do mercado manuais porque têm labirintos diferentes para meninos e meninas... nem entro nessa polémica, mas não deveria ser o consumidor a penalizar esses ditos erros do produto? E a seguir vamos banir as sais curtas e os calções por terem alturas diferentes?

Nada nem ninguém parece se opor a este crescente abuso do estado que usa (e abusa) o seu poder contra uma sociedade cada vez mais desligada e indiferente à perda das suas liberdades. A esquerda que se diz "dona de Abril" esfrega as mãos de contente, a direita liberal preocupa-se mais com "fait divers" e demissões politicas. O poder deixou de ser um meio, passou a ser um fim.

Quem trava estes novos radicais?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A individualidade

A individualidade é essencialmente a capacidade de nos vermos de forma independente e única perante os demais. Pode ser real ou uma mera ilusão criada pela nossa mente na interpretação do que nos rodeia, vários argumentos apontam em direcções opostas, a história humana e a biologia oscilam entre o individual e o comum. Na actualidade, a ideia de individualidade no mundo ocidental, parece ganhar terreno à visão mais colectivista que ainda está enraizada na cultura oriental. Mesmo os interesses colectivos do mundo ocidental, servem em última instância a preservação da individualidade. As leis, a economia, a organização social e a cultura são fundamentalmente organizadas sobre o individualismo, sobre o que nos faz diferentes. A aceitação do que é diferente é quase uma obsessão social e aos olhos da generalidade, uma prova de civilização e urbanismo. Por oposto, no antigo bloco soviético, resultante da centenária revolução russa, tentou-se implementar uma sociedade col...

Enfant terrible

Desde os tempos de Robin Hood que ficaram famosos vários heróis "contra sistema" que lutavam contra o poder e a opressão. Vários ficaram consagrados por ajudar a expor e a derrubar ditaduras tiranas e até por cá temos quem nos relembre desses tempos. O mundo ocidental evoluiu, as democracias pós 2ª guerra trouxeram estados de direito e alguma paz social. Ainda assim, o contra sistema teve espaço a combater dogmas e costumes socias, como a revolução cultural dos anos 60. Muitos também, perderam o seu tempo e nunca se adaptaram à modernidade optando por viver à margem da sociedade e das suas regras mesmo sem aparente razão.  Aliás, como retrata o sempre actual filme "Rebel without a cause". Posto isto, e entrando no tema do artigo de hoje, temos agora uma nova espécie de "enfant terrible", que se apoia em populismos em vez de causas, que finge ter ideias mas diz apenas lugares comuns, que aparece como contra sistema, mas só almeja ser dono desse mes...

Presunção de culpa

Como se sabe, nos estados de direito ocidentais, há um principio de separação de poderes que isola os poderes executivo, legislativo e jurídico. Um quarto poder, não oficial e ainda mal regulado, nasceu com a comunicação social. Se nos três poderes de estado, as regras estão bem definidas e são relativamente bem respeitadas, a comunicação social, dada a sua vocação fundamentalmente privada, dispersa e sujeita ao mercado, tem mais dificuldade em ter uma intervenção tão balizada. Os dias, são de dificuldade e aperto para a comunicação social, que está com muitos problemas em se adaptar aos tempos de massificação da informação. Surgem até apelos de quem quer ver o estado intervir. Espero que o estado não ceda a essa tentação pois seria, por certo, o principio do fim da comunicação social independente. Entrando agora no tema fundamental deste artigo, alguma comunicação social, além de não ter grandes preocupações deontológicas, de ter esquecido o que são notícias, de sacrificar os p...